O trompete personificou o jazz com exatidão durante mais de seis décadas. Não que algum instrumento seja mais importante do que outro, mas quando o leigo experimenta traduzir o jazz em uma única imagem ou em um único nome, logo brilha em sua memória a face sorridente de Louis Armstrong, um trompetista. E depois dele vieram tantos: Miles Davis, Chet Baker, Clifford Brown, Fats Navarro, Freddie Hubbard, Donald Byrd, Woody Shaw, Lester Bowie, Wynton Marsalis, só para citar poucos exemplos de trompetistas influentes e responsáveis pela evolução deste gênero musical.
- "Freak In"- Dave Douglas (Dave Douglas)
- "Transform" - Terence Blanchard (Eric Harland)
- "Sequence Orfiche - Prólogo" - Orchestre National de Jazz (Paolo Damiani)
- "Sequence Orfiche - Sequenza Prima" - Orchestre National de Jazz (Paolo Damiani)
- "Scody Part II" - Erik Truffaz (Erik Truffaz))
- "Yasmina" - Erik Truffaz (Erik Truffaz)
- "Litany Against Fear" - Christian Scott (Christian Scott)
- "The Uprising" - Christian Scott (Christian Scott)
- "Nothing Serious" - Roy Hargrove (Leo Quintero)
- "Can't Stop" - Roy Hargrove (Roy Hargrove)
- "Embraceable You" - Chris Botti (George e Ira Gershwin)
- "Indian Summer" - Chris Botti (Chtis Botti)
- "Smile" - Chris Botti (Charlie Chaplin)
- "Katcharpari" - Enrico Rava (Rava, Abercrombie, Johnson e White)
- "Monastery In the Dark"- Tomasz Stanko (Tomasz Stanko)
- "Mu-Chu" - Dj Krush e Toshinori Kondo (Krush/Kondo)
- "Campos dos Goytacazes" - Barrosinho (Barrosinho)

Nos últimos anos, porém, o instrumento perdeu adeptos e, nos dias de hoje, não são muitos os trompetistas que assumem seus próprios projetos e se arriscam no desenvolvimento de novos caminhos. Neste programa, destacaremos alguns que começam a fazer --ou ainda estão fazendo-- diferença na criação musical.
No primeiro bloco mostramos dois norte-americanos consagrados, que já carregaram baldes de água em terreno árido por vários anos: Dave Douglas, com a música "Freak In" , e Terence Blanchard, com "Transform", composição de seu baterista Eric Harland para o álbum "Bounce".
Na seqüência, viajamos até a França para trazer o jovem Médéric Collignon, trompetista da Orchestre National de Jazz, fundamental para as peças do CD "Charmediterranén", de 2003, conduzido pelo violoncelista e compositor italiano Paolo Damiani. Depois, resgatamos o pop Erik Truffaz em suas experiências com o rock na fusion "Scody Part 2" e na suave "Yasmina".
Com apenas 24 anos, o norte-americano de New Orleans Christian Scott apresentou o álbum "Anthem" neste ano para lembrar as vítimas do furacão Katrina. Em composições densas, mergulhadas no rap, a revelação encontrou inspiração para dar prosseguimento a um trabalho que certamente seria perseguido por Miles Davis. Com um sopro ácido e cristalino, Scott edita na medida certa as notas de "Litany Against Fear" e "The Uprising". Na seqüência, Roy Hargrove, músico que já encontrou há algum tempo o balanço correto para dividir sua paixão pelo hardbop e pelo hip hop. Basta ouvir "Nothing Serious", de Leo Quintero, e "Can't Stop", música de sua banda RH Factor.
No quarto bloco, a popularidade do smooth jazz de Chris Botti, o Kenny G da nova era. Tão preocupado com sua aparência quanto com sua música, Botti gosta de fazer versões de standards do cancioneiro popular e promover os lucrativos duetos com estrelas do showbiz. Aqui, poderemos escutar "Embraceable You", dos irmãos Gershwin, "Indian Summer", e o clássico de Charlie Chaplin "Smile", com participação de Steven Tyler, vocalista da banda Aerosmith.
Para concluir, um giro pelo planeta: o italiano Enrico Rava toca "Katcharpari", do raro álbum "Katcharpari Rava", de 1973; o veterano polonês Tomasz Stanko mostra a conceitual "Monastery In the Dark"; o japonês Toshinori Kondo experimenta o drum'n'bass do DJ Krush em "Mu-Chu" e o heróico brasileiro Barrosinho apresenta "Campos dos Goytacazes", gravada em 1988 no festival de Montreux.