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18/01/2008

Oscar Peterson ensina que o jazz pode ser popular e elegante

VINICIUS MESQUITA
Editor-assistente da Home Page do UOL
Jorge Araújo/Folha Imagem

Oscar Peterson durante sua última passagem pelo Brasil, em 1998

Dentro da escola do 'stride piano' e cadenciado pelo boogie-woogie, o canadense Oscar Peterson aprendeu a entender o jazz antes mesmo de levá-lo a sério. Somente depois da insistência do empresário Norman Granz, Peterson, então com 22 anos, resolveu aprimorar seu gosto para se transformar em um dos mais criativos e virtuosos pianistas dos últimos 60 anos.

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Músicas que fazem parte dessa edição

  1. Oscar Peterson - "Requiem (Oscar Peterson)
  2. Oscar Peterson - "My Blue Heaven (Richard Whiting/Walter Donaldson)
  3. Oscar Peterson - "Blue Moon (Richard Rodgers/Lorenz Hart)
  4. Oscar Peterson - "Time On My Hands (You In My Arms)" (V. Youmans/H. Admson/M. Gordon)
  5. Oscar Peterson - "The Astaire Blues" (Oscar Peterson)
  6. Oscar Peterson - "Noreen's Nocturne" (Oscar Peterson)
  7. Oscar Peterson - "Sometimes I'm Happy" (Vincent Youmans/Irving Caesar)
  8. Oscar Peterson - "Young and Foolish" (Albert Hague/Arnold Horwitt)
  9. Oscar Peterson - "Reunion Blues" (Milt Jackson)
  10. Oscar Peterson - "Mumbles" (Clark Terry)
  11. Oscar Peterson - "The Days Of Wine And Roses" (Henry Mancini/Johnny Mercer)
  12. Oscar Peterson - "My One And Only Love" (Guy Wood/Robert Mellin)
  13. Oscar Peterson - "Mas Que Nada" (Jorge Ben)
  14. Oscar Peterson - "Caravan" (Tizol/Ellington/Mills)
  15. Oscar Peterson - "When Summer Comes" (Oscar Peterson)
Nunca faltou técnica a Peterson. Granz sabia disso. O empresário da Verve Records percebeu logo em 1947, durante passagem por Montreal, quando a rádio de um táxi sintonizava coincidentemente em uma apresentação ao vivo do desconhecido pianista. Granz não resistiu. Pediu ao taxista que o levasse para o local onde Peterson se encontrava.

De uma só vez, Granz convenceu Peterson a deixar o boogie-woogie de lado para se dedicar às harmonias mais elaboradas do bebop, do third stream e do cool e a se transferir para os Estados Unidos. Em poucos anos, Peterson passou a ser um dos mais importantes instrumentistas de sua era, gravando com pessoas como Dizzy Gillespie, Charlie Parker, Lester Young, Fred Astaire, Ella Fitzgerald, Louis Armstrong, Stan Getz e muitos outros.

Neste programa, vamos mostrar peças fundamentais da carreira do pianista que morreu dia 23 de dezembro de 2007, aos 82 anos. No primeiro bloco, abrimos com 'Requiem', gravada ao vivo em Viena, em 2003, dez anos depois de ter sofrido um derrame que comprometeu os movimentos da mão esquerda. A música é uma homenagem aos seus grandes amigos e colegas de trabalho que tinham falecido pouco tempo antes: Granz (2001), o pianista John Lewis (2001), o vibrafonista Milt Jackson (1999) e seu mais importante parceiro, o baixista Ray Brown (2002).

Na seqüência, três músicas gravadas ainda no Canadá, em 1945, quando o boogie-woogie era a realidade do então 'teenager' Peterson: 'My Blue Heaven', 'Blue Moon' e 'Time On My Hands'.

No bloco seguinte, 'The Astaire Blues', gravada em 1952 com um quarteto formado pelo guitarrista Berney Kessel, o baixista Ray Brown e o baterista Alvin Stolier. Depois,
'Noreen's Nocturne', de 1956, já sob as regras de um de seus dois mais importantes trios (falaremos do segundo trio logo adiante), acompanhado por Brown no baixo e pelo guitarrista Herb Ellis. Na seqüência, as três composições executadas entre 1961 e 1962, exatamente com o segundo trio fundamental em sua carreira, formado por Brown e pelo baterista Ed Thigpen: 'Sometimes I'm Happy', 'Young and Foolish' (conduzida pela orquestra de Ernie Wilkins) e 'Reunion Blues' (com o vibrafonista Milt Jackson como convidado).

No penúltimo bloco, outra perfeita demonstração de versatilidade de Peterson. Em 1964, gravou 'Mumbles' com o apoio vocal do trompetista Clark Terry e recriou peças populares para a época como 'The Days Of Wine And Roses' e 'My One And Only Love'; arriscou com o samba soul de 'Mas Que Nada' (Jorge Ben Jor) em 1966, e trouxe uma versão original para o clássico 'Caravan', de Duke Ellington, acompanhado pelo guitarrista Joe Pass, em 1974.

Para fechar, outra composição do álbum lançado em 2004 e gravado ao vivo em Viena: 'When Summer Comes'. Aqui, Peterson, distante de sua técnica invejável por culpa do derrame de 1993, tem apenas sua imaginação e sensibilidade como armas para provar porque foi considerado justamente um dos músicos mais importantes da história do jazz.

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