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04/05/2008

Na Costa Oeste, Art Pepper era o virtuoso 'bad boy' do sax alto

VINICIUS MESQUITA
Editor-assistente da Home Page do UOL
Reprodução

O 'bad boy' Art Pepper

Art Pepper e seus contemporâneos do sax alto Paul Desmond e Lee Konitz foram ofuscados por Charlie Parker, somente alguns anos mais velho do que os outros três, mas líder da revolução bebop, um dos movimentos mais importantes da música do século passado. De fato, Parker influenciou a todos, mas, sob a sombra do ídolo máximo, Pepper, Desmond e Konitz foram menosprezados como figuras criativas. Pepper, por exemplo, o mais virtuoso saxofonista da escola West Coast, produziu um trabalho de enorme valor, porém, sua longa ficha criminal chamava mais a atenção da mídia.

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Músicas que fazem parte dessa edição

  1. Art Pepper - "Harlem Folk Dance" (Stan Kenton)
  2. Art Pepper - "Art Pepper" (Shorty Rogers)
  3. Art Pepper - "Over The Rainbow" (Harburg/Arlen)
  4. Art Pepper - "Pooch McGooch" (Dizzy Gillespie)
  5. Art Pepper - "Shorty Stop" (Shorty Rogers)
  6. Art Pepper - "Sweetheart of Sigmund Freud" (Shorty Rogers)
  7. Art Pepper - "Suzy the Poodle" (Art Pepper)
  8. Art Pepper e Chet Baker - "The Route" (Chet Baker)
  9. Art Pepper - "Blues Express" (Shorty Rogers)
  10. Art Pepper - "Waltz Me Blues" (Pepper/Chambers)
  11. Art Pepper - "Move" (Denzil Best)
  12. Art Pepper - "Groovin' High" (Dizzy Gillespie)
  13. Art Pepper - "Round Midnight" (Monk/Williams)
  14. Art Pepper - "Shaw Nuff" (Gillespie/Parker)
  15. Art Pepper - "Our Song" (Art Pepper)
  16. Art Pepper - "Here's That Rainy Day" (Van Heusen/Burke)
  17. Art Pepper - "Donna Lee" (Charlie Parker)
Habilidoso e emotivo, Pepper tinha tanta capacidade para construir peças em alta velocidade como exigia o bop de sua época como para compor suaves baladas. Trabalhou com o bandleader Stan Kenton entre os anos 1940 e 1950 e gravou vários álbuns com o trompetista Shorty Rogers, o baterista Shelly Manne e o pianista Russ Freeman.

Mesmo consagrado como um dos melhores saxofonistas de sua época, sua vida particular era um desastre. Brigava constantemente com sua esposa Patti Papper e sofria com o vício pela heroína. Em 1953, encontrado pela polícia portando uma grande quantidade da droga, foi preso e sentenciado a 15 meses de cadeia. Alguns meses depois da liberdade, foi novamente encontrado com heroína (assim como Parker, Pepper também foi constantemente vigiado por agentes federais): mais 19 anos desperdiçados na penitenciária.

Livre em 56, voltou a gravar bastante. Além da companhia do eterno colega Russ Freeman, Pepper tocou ao lado do trompetista Chet Baker, do pianista Red Garland, do baixista Paul Chambers, do baterista Philly Jo Jones, entre outros. Em 1959, gravou seu mais belo disco: 'Art Pepper + Eleven'.

Em setembro de 1960, sua segunda esposa, Diane Suriaga, foi hospitalizada por causa de uma overdose. A polícia, que não saia do pé de Pepper, o prendeu mais uma vez. Acusado por tráfico - e não apenas por posse -, foi sentenciado a 30 anos de reclusão no temível presídio de San Quentin. A pena foi considerada muito dura e, após seis anos na cadeia, foi para uma clínica de reabilitação, onde permaneceu por mais dois anos.

Livre em 1968, Pepper voltou a estudar música, a gravar e surpreendeu ao mostrar que ainda tinha fôlego para manejar seu saxofone. Em 1969, sofrendo com a cirrose, ficou novamente mais três anos em outra clínica de recuperação.

Inspirado pela sua terceira esposa, Laurie Pepper, encontrou disposição para voltar a gravar e excursionar por outros países a partir de 1972. Morreu em 1982, aos 57 anos.

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