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20/06/2008

Jazz e trilhas para séries de TV convivem em simpática harmonia

VINICIUS MESQUITA
Editor-assistente da Home Page do UOL
Reprodução

Um dos maiores nomes em trilhas de séries de TV, o maestro e compositor Henry Mancini

Nos Estados Unidos, as duas escolas são basicamente iguais. Quem arranja para orquestras de jazz mora ao lado daqueles que compõem para o show business proporcionado pelas trilhas sonoras dos programas de televisão. Seja para criar um micro tema de 90 segundos ou para dirigir uma orquestra neste mesmo curto espaço de tempo, o mais sensato é procurar alguém imaginativo e teórico na mesma proporção. Não por coincidência, músicos com profundo conhecimento sobre jazz sempre foram os preferidos pelas principais emissoras de televisão norte-americanas.

Neste programa, vamos mostrar como os compositores e arranjadores do jazz estiveram presentes no universo popular desenvolvido pelas séries de TV dos Estados Unidos.

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Músicas que fazem parte dessa edição

  1. "Os Detetives" - Henry Mancini
  2. "O Vigilante" - Henry Mancini
  3. "Mr. Lucky" - Henry Mancini
  4. "Peter Gunn" - Henry Mancini
  5. "A Vida dos Ricos e Famosos" - Bill Conti e Norman Gimbel
  6. "Falcon Crest" - Bill Conti
  7. "Os Colbys" - Bill Conti
  8. "Cagney e Lacey" - Bill Conti
  9. "Dinastia" - Bill Conti
  10. "Hawaii Cinco-0" - Morton Stevens
  11. "Police Woman" - Morton Stevens
  12. "Apple's Way" - Morton Stevens
  13. "Emergência!" - Nelson Riddle
  14. "Os Intocáveis" - Nelson Riddle
  15. "Rota 66" - Nelson Riddle
  16. "Trapper John Médico" - John Parker
  17. "Chips" - John Parker
  18. "Cannon" - John Parker
  19. "Baretta" - Dave Grusin e Morgan Ames
  20. "St. Elsewhere" - Dave Grusin
  21. "Nós e o Fantasma" - Dave Grusin
  22. "O Rei dos Ladrões" - Dave Grusin
  23. "O Nome do Jogo" - Dave Grusin
  24. "Felony Squad" - Pete Rugolo
  25. "O Fugitivo" - Pete Rugolo
  26. "Dr. Kildare" - Pete Rugolo, Jerry Goldsmith e Hall Winn
  27. "Police Story" - Jerry Goldsmith
  28. "Room 222" - Jerry Goldsmith
  29. "Barnaby Jones" - Jerry Goldsmith
  30. "M-Squad" - Count Basie
  31. "Asphalt Jungle" - Duke Ellington
  32. "Mr. Broadway" - Dave Brubeck
  33. "Monday Night Football" - Johhny Pearson
  34. "Carro Comando" - Mark Snow
  35. "Táxi" - Bob James
  36. "Alf" - Alf Clausen e Tom Kramer
  37. "São Francisco Urgente" - Pat Williams
  38. "Hill Street Blues" - Mike Post
  39. "Arquivo Confidencial" - Mike Post e Pete Carpenter
  40. "L.A. Law" - Mike Post
  41. "Magnum" - Mike Post e Pete Carpenter
  42. "O Super Herói Americano" - Mike Post e Stephen Geyer
Henry Mancini, um dos maiores compositores de trilhas sonoras de todos os tempos, conviveu com as orquestras do swing durante a adolescência, trabalhando para a big band de Glenn Miller antes da Segunda Guerra Mundial. Seus estudos extrapolaram as fronteiras do jazz e, em pouco tempo, sua imensa criatividade o comprometeu para sempre com as complexas orquestrações para trilhas cinematográficas, Não faltou tempo, porém, para montar pequenas peças para a TV.

Nelson Riddle foi um dos mais notáveis arranjadores do jazz entre os anos 1950 e 1960. Trombonista e pianista, Riddle iniciou carreira com a orquestra de Tommy Dorsey e, nos anos 1950, foi escalado pela gravadora Capitol para arranjar e formatar a carreira de cantores como Nat King Cole e Frank Sinatra e a diva Ella Fitzgerald.

O italiano Pete Rugolo teve a mesma formação de Riddle. Iniciou estudos com o mestre da composição Darius Milhaud, dividiu o palco com o saxofonista Paul Desmond e, nos anos 1950, arranjou para a orquestra de Stan Kenton e para cantoras como June Christy. É credenciada a ele, por exemplo, a criação do título 'Birth of The Cool', disco de Miles Davis lançado oficialmente em 1957 com as históricas gravações realizadas entre 1949 e 1950. Na época, Rugolo foi o responsável pela produção do álbum definitivo lançado pela Capitol.

Riddle e Rugolo compuseram trilhas para séries como 'Os Intocáveis' (Riddle), 'Rota 66' (Riddle), 'O Fugitivo' (Rugolo), entre outras.

Até mesmo instrumentistas virtuosos e clássicos bandleaders, fiéis ao jazz, pisaram em solo 'desconhecido'. Duke Ellington compôs para 'Asphalt Jungle', Count Basie fez o clássico tema de 'M-Squad' e Dave Brubeck se aventurou na inexpressiva e desconhecida 'Mr. Broadway'.

Nos anos 1970, notáveis jazzistas de estúdio, mais famosos pelas experiências com o fusion e com o suspeito smooth jazz, dividiram atenção com a televisão. O pianista Bob James, criador de vários álbuns com instrumentistas como Eric Gale, Steve Gadd, Hubert Laws, Sarah Vaughan e Grover Washington Jr., compôs 'Táxi', sua mais famosa obra. O arranjador, pianista e produtor Dave Grusin, que já gravou até CD em homenagem a Duke Ellington, é profícuo compositor para trilhas. Neste programa mostraremos 'Baretta', 'O Rei dos Ladrões', 'St. Elsewhere', entre outras.

Do outro lado do muro estão os compositores genuinamente 'televisivos', pouco relacionados com o jazz, mas profundamente influenciados pelo gênero: Jerry Goldsmith, Bill Conti, Morton Stevens, John Parker e Johnny Pearson. Enfáticos nos arranjos para cordas, metais e percussão, este quinteto vibrante perde em sofisticação e em leveza (qualidades que sobram a Mancini, Riddle e Rugolo), mas as obras são igualmente inesquecíveis.

O compositor Alf Clausen, responsável por 'Alf, o ETeimoso', compôs também para as orquestras progressistas de Buddy Rich, Thad Jones & Mel Lewis, Stan Kenton e Woody Herman.

Mike Post, em caminho oposto, influenciou os músicos de jazz com as trilhas de 'Hill Street Blues' e 'Arquivo Confidencial', ambas regravadas e reorquestradas inúmeras vezes nos últimos 20 anos.

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