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23/08/2008

A prazerosa jornada de Donald Byrd e Freddie Hubbard entre o hardbop e o acid jazz

VINICIUS MESQUITA
Editor-assistente da Home Page do UOL
Reprodução

Os trompetistas Donald Byrd e Freddie Hubbard

Donald Byrd, nascido em 1932, Freddie Hubbard, seis anos mais jovem, participaram em início de carreira, cada um a seu tempo, dos Jazz Messengers do baterista Art Blakey. Na metade dos anos 50, Byrd tocou com Sonny Rollins e John Coltrane (ouça, por exemplo, 'Lush Life' e 'Black Pearls', dois álbuns de Coltrane), pouco tempo antes de assinar contrato para gravar discos sob seu próprio comando pela Blue Note. No final dos anos 50, Hubbard acompanhou Rollins, e no início da década de 1960, participou de 'Olé Coltrane', álbum pré-avant-garde do saxofonista. Byrd e Hubbard, dois dos mais consagrados trompetistas do hardbop, admiravam demais o saxofonista Eric Dolphy e o pianista Thelonius Monk.

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Músicas que fazem parte dessa edição

  1. Donald Byrd - "The Injuns" (Donald Byrd)
  2. Freddie Hubbard - "Hub Cap" (Freddie Hubbard)
  3. Donald Byrd - "Duke's Mixture" (Duke Pearson)
  4. Freddie Hubbard - "Father and Son" (Cal Massey)
  5. Donald Byrd - "Elijah" (Donald Byrd)
  6. Freddie Hubbard - "Jodo" (Freddie Hubbard)
  7. Donald Byrd - "Jamie" (Donald Byrd)
  8. Donald Byrd - "Mr. Thomas" (Mizell/Jordan)
  9. Donald Byrd - "Sister Love" (Larry Mizell)
  10. Freddie Hubbard - "Backlash" (Donald Pickett)
  11. Freddie Hubbard - "The Return of the Prodigal Son" (Harold Ousley)
  12. Donald Byrd e Jazzmatazz - "Lougin'" (Guru)
  13. Freddie Hubbard e Jazzmatazz - "Something In The Past" (Guru/Elam)

Donald Byrd, eclético, seguia os passos de Miles Davis. Hubbard, mas purista, preferia Clifford Brown. Com uma caprichada dose de injustiça, tanto Byrd como Hubbard foram mais prestigiados como 'sideman' de amigos revolucionários (Coltrane, Rollins, Dolphy, Wayne Shorter, Herbie Hancock...) do que como líderes de suas respectivas 'revoluções'.

Byrd, fã de rhythm & blues, atento a então remodelação do jazz arquitetada entre o final da década de 60 e início da de 70, gravou discos 'para os jovens', apelando para o funk e a produção dos irmãos Mizell, Larry e 'Fonce' (Alphonso), dupla que, poucos anos depois, ficaria mais famosa - e rica - ensinando os primeiros passos à cantora Gladys Knight e ao grupo The Jackson 5 na gravadora Motown. O álbum 'Black Byrd', de 72, assinado pelos irmãos Mizell, foi massacrado pela crítica especializada, porém, tornou-se o disco mais vendido até então da gravadora Blue Note.

Hubbard, com menos disposição que Byrd, também cedeu e gravou discos de soul jazz e fusion como 'Backlash' e os álbuns da gravadora CTI, 'Red Clay', 'Sky Dive', entre outros.

Compositores refinados, Byrd e Hubbard jamais fizeram um disco fraco. Afinadíssimos, virtuosos quando necessário, econômicos na medida certa, os dois trompetistas foram 'recuperados' na década de 90 pelos representantes do acid jazz, como o grupo US3 e o Jazzmatazz do rapper Guru. Neste programa, também destacamos duas músicas gravadas entre 93 e 95 de álbuns do Jazzmatazz.

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