
O trompetista Freddie Hubbard |
O UOl That Jazz desta semana dá uma pequena amostra da dinâmica “narrativa” do jazz. Como exemplo, utiliza uma música de Sonny Rollins e todo um disco ao vivo de Freddie Hubbard.
Mesmo não sendo, em geral, inteiramente improvisado, o jazz é um estilo cujo sucesso depende inteiramente da sintonia entre os músicos e dos músicos com a canção. É uma forma de arte que exacerba a importância do momento.

As diversas variações (rítmicas, harmônicas, melódicas, de instrumentação etc.) criam uma espécie de narrativa, que alterna diferentes cargas de energia durante uma música ou, mais ainda, durante um show. Dessa forma, assistir a um bom concerto de jazz é como acompanhar um filme ou um romance.
Às vezes, o desfecho é trágico. Quando o um instrumentista não consegue “se achar” na música ou mesmo se entrosar com os demais músicos, o desastre é certo, mesmo quando não há erros formais. Até o contrário é verdadeiro: às vezes, quando se toca uma nota errada, a convicção do músico e a maleabilidade da banda fazem com que ela passe a soar correta, alterando o contexto da música.
O saxofonista Sonny Rollins é um mestre em criar dinâmicas e explorar todas as oportunidades de um tema. Porém, é um instrumentista que precisa de inspiração para funcionar. Quando está sem idéias, corre o risco de não funcionar. É célebre o período de três anos, nos fim dos anos 50, em que ele se retirou da música para estudar e encontrar novas linguagens.
No disco que marca sua volta, “The Bridge”(1962), Rollins brinca com a dinâmica em “John S.”. Na música, que já tem cadência “hesitante”, o saxofonista ameaça “travar” em uma única nota, antes de recuperar o fio da meada, dar impulso nos músicos e voltar ao tema.
Freddie Hubbard era um mestre da dinâmica no jazz. O disco que o programa apresenta, “A Little Night Music” (1981), mostra, em apenas três músicas, uma variedade narrativa admirável. A banda que acompanha o trompetista é formada por Joe Henderson (sax tenor), Bobby Hutcherson (vibrafone), Billy Childs (piano), Larry Klein (baixo) e Steve Houghton (bateria).